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A Creche do Tom Zé

Quando fizemos a entrevista com Tom Zé para o filme Palavra Encantada, ele nos contou sua teoria sobre a "creche tropicalista", ressaltando as babás-preceptoras que rondavam o recôncavo bahiano.

Acabamos não usando a fala no filme, mas navegando no blog dele, encontrei este diagrama que explica ainda mais o fato! Abaixo vai um trechinho do depoimento do Tom Zé para o filme e o diagrama da creche.


"Na creche que nascemos eu, Caetano e Gil, nós ficávamos - é importante isso, porque nós ficávamos grande parte da juventude, de zero aos três anos de idade - em muito contato com o inominável. Porque a criança era deixada no berço, ninguém ficava lá balançando nada pra ela, era deixada no berço, digamos assim, filosofando. E uma criança falava com três anos de idade, uma criança normal não era como hoje que fala com um ano de idade, uma criança normal falava com três anos de idade. Então esse tempo de contato, esse tempo metafísico, digamos assim, era uma coisa muito importante pra criação da gente, para o que ia acontecer. Porque quando a gente começasse a olhar em volta, a gente ia encontrar vários tipos de professores, do século XI, XII, X, IX...."

Creche do Tom Zé.JPG
Por Marcio Debellian em julho 11, 2008 5:10 PM | | Comentários (0)


Joan Brossa - Parasit parasit.jpg
Por Marcio Debellian em junho 16, 2008 2:35 PM | | Comentários (0)


Macy Grave macy_gray_3.jpg

Acabei de chegar do show da Macy Gray. Fui por impulso: meu amigo Andre Mux me ligou no fim da tarde me oferecendo um convite e, como raramente recuso convites para shows (mesmo que conheça pouco do artista), topei.

Bom, 1h30m de atraso supera o razoável de qualquer carioca, mas compreendi a cantora quando às 21h45m desci à pista e vi o Vivo Rio ainda bem vazio. Era melhor deixar o pessoal chegar, e começar com a casa ao menos meia-bomba.

O Show começa e o pessoal do som demorou umas 3 músicas para conseguir fazer a voz da cantora chegar ao público. O som estava bem embolado mesmo. No primeiro momento de conversa com o público - aquele esquemão brazil-pelé-caipirinha-flamengo - Macy diz que o baterista deu um google no Rio de Janeiro e soube que os cariocas são super festivos, sexys, simpáticos, bebem muito e por isso "don't notice the mistakes that happen on stage". OK, carioca bebe um pouquinho, mas não precisa abusar da nossa boa índole. O show não estava mesmo muito legal e nem natação num tonel de cachaça resolveria a questão.

O show não tinha cenário, apenas luz (bacana, por sinal) e um pedestal de microfone banhado em purpurina prateada. As duas backing-vocals eram divertidas, especialmente a gordinha aniversariante do dia.

Mais pro final, o show deu uma melhorada, o pessoal até se empolgou, mas na verdade, senti falta de me oferecerem algo a deglutir, tropicalizar, antropofagizar. Em suma: Não vi nada de novo ou surpreendente no show.

Acho que teriam melhor carreira no circuito Oklahoma-Arkansas-Illinois-Detroit.

Por Marcio Debellian em maio 30, 2008 2:02 AM | | Comentários (0)


Rio, 25 de maio, te envio um sorriso, te desejo uma praia.

04 fraterno.mp3

Tenho ouvido tanto esta música, que seria impossível passar o 25 de maio desapercebido. Bela composição do Pedro Luis, interpretação irretocável do Ney.

Por Marcio Debellian em maio 25, 2008 10:12 AM | | Comentários (0)


Mariana Aydar Mariana Aydar.jpg

Sexta-feira, fui ao show da Mariana Aydar no Teatro Odisséia, na Lapa. Das novas cantoras da MPB, ela é das que mais gosto. Mariana é divertida em cena, canta bem, tem prazer de estar no palco e um ótimo repertório. O som não estava muito bom, com vários momentos de microfonia, ao ponto da cantora tirar o earphone e, usando suas próprias palavras, "ir na raça mesmo". Este espírito faz toda a diferença.

Conversando recentemente com meu amigo Rodrigo Faour, falávamos do tempo em que ser cantora era mal visto, coisa de "puta", e que quem quisesse seguir na profissão tinha que enfrentar muitos obstáculos e ter muita vontade. Por isso, só as melhores acabavam aparecendo. Sinto falta desta pegada nas cantoras que surgem num tempo em que a profissão virou sinônimo de glamour. Mariana me parece ter este "tesão" pelo que faz.

O show tem como base o repertório do disco "Kavita 1", mas inclui algumas outras músicas. Destaque para a bela interpretação de "Beleza Pura", de Caetano Veloso - com a ressalva da cantora de que "faz parte do show bem antes da novela".

Bons ventos soprem Mariana mais vezes aos palcos cariocas!

Por Marcio Debellian em abril 20, 2008 7:43 PM | | Comentários (0)


Shows do Fim de Semana: Arnaldo Antunes / Bethânia e Omara Portuondo

Arnaldo.jpg

O show do Arnaldo Antunes no Circo Voador foi tão bom, mas tão bom, que se eu fosse ele, da próxima vez, ao invés de "Ao Vivo no Estúdio", faria "Ao Vivo no Circo mesmo"...

A formação da banda, sem percussão ou bateria, apenas com violão, guitarra, teclado e sanfona, resulta bem ao vivo. Os videografismos projetados no fundo do palco são de primeira, mas isso não é novidade para quem conhece outros trabalhos dele, como o DVD "Nome".

Arnaldo é um dos nossos maiores letristas, mas o show surpreende também por ótimas interpretações de outros compositores Destaque para ele cantando "Exagerado", do Cazuza, sentado na beira do palco, com direito a um medley com "Sem pecado e sem Juízo", de Baby do Brasil. Além de "Qualquer Coisa", do Caetano, e "Desafinado" que, na voz dele e com todo mundo cantando junto, foram momentos ótimos.

Na domingueira, fui ver Omara Portuondo e Bethânia, e aconteceu algo que nunca imaginei. A cubana rouba completamente a cena. Omara é uma espécie de Nina Simone latino-americana, não faz força pra cantar, tem muito carisma e um vozeirão enorme, leva o público junto, é simpática, enfim, arrebatou o Canecão.
E Bethânia que para mim sempre foi a melhor dos palcos, acaba um pouco apagada... Difícil de acreditar? Se me contassem, também desconfiaria.

Bethânia e Omara.jpg
Por Marcio Debellian em março 11, 2008 3:29 PM | | Comentários (0)


O Punk do Brasil tim maia.jpg

A biografia de Tim Maia, escrita por Nelson Motta, é daqueles livros que você não consegue largar, e volta e meia te leva a uma gargalhada. Gargalhar de livro é bom demais! Ai não tem jeito, tem que parar, responder "o que aconteceu?". ler o trecho para todos na casa, respirar fundo, e continuar. Conclusão: diversão para toda a família! ;-)

Por Marcio Debellian em fevereiro 23, 2008 1:10 PM | | Comentários (0)


Rita Lee e Ney Matogrosso Rita Lee_FotoHenriqueBadke.jpg
Foto: Henrique Badke

Janeiro começou com bons shows no Canecão. Ney Matogrosso com seu "Inclassificáveis", batizado a partir da música do Arnaldo Antunes (que, aliás, estamos usando no Palavra Encantada) e Rita Lee, com Pic-Nic, uma celebração de seus 60 anos, e uma bela revisão da carreira, com muitos sucessos e apenas duas músicas inéditas.

Nos dois shows, cheguei um pouquinho depois da primeira música, algo que muito me irrita, mas minha grande amiga Branca Lee estava com os ingressos (e síndrome de atraso), e não teve jeito, fiquei na porta do Canecão ouvindo o show ao longe e torcendo para que ela aparecesse logo.

O show do Ney Matogrosso trouxe de volta aquele clima "Secos e Molhados", muitas trocas de roupa, uma levada mais rock n roll, mas o repertório não me surpreendeu tanto. Adoro vê-lo em cena, mas não foi daqueles shows arrebatadores.

O show da Rita Lee me emocionou por vê-la em cena, não tão vigorosa como há anos atrás, mas em família, celebrando sua carreira, com uma certa nostalgia, mas uma nostalgia indiscutivelmente privilegiada. O Jamari França escreveu uma crítica um pouco dura no seu Blog no GLOBO online. Respondi e ele publicou meu comentário na íntegra.

Thumbnail image for Rita Lee _foto Cau Borges.jpg Foto: Cau Borges

Transcrevo abaixo as duas análises.


Enviado por Jamari França -
19/1/2008
-
12:47
Rita Lee faz estréia morna de Picnic no Rio

Rita Lee não tem nada a provar para ninguém. Sua turnê atual, Picnic, comemora 40 anos de relevantes serviços prestados à música brasileira. Mas, por obrigação profissional, não posso omitir que a estréia de duas semanas nesta sexta no Canecão foi de total e completa brochura ou como diz o refrão de sua nova música, "Tão" "chata chata chata". E por que assim tê-lo-ia sido, indaga o curioso leitor. Ela não estava numa boa noite. Sua verve afiada estava mais cega que o Stevie Wonder (why, I wonder), suas mãos tremiam, sua emissão estava precária em vários momentos. E a superbanda um desânimo burocrático total. Não se ouvia direito bateria e nem baixo, erros fatais num show de rock, e nem é o som da casa porque, na semana anterior, o som de Ney Matogrosso estrondou.

O show de Santa Rita de Sampa teve bons momentos no miolo, especialmente a apresentação histriônica de "Vingativa", do repertório das Frenéticas, com Rita ladeada por suas apetitosas vocalistas Débora Reis e Rita Kfouri em interpretação arrebatadora dos versos "Você fez de mim uma hipócrita/ Você fez de mim uma cínica/Você fez de mim uma mulher sem lar, uma malvada!/ Por isso eu sou vingativa, vingativa, vingativa/ Por isso eu sou vingativa, tenho até asco de você." Isso dançando e agitando leques vermelhos.

E ainda a versão para "I want to hold your hand", atribuída a Renato Barros, do Renato e Seus Blue Caps, em ritmo de forró, sobre o entrevero de um bode com uma cabra. Ela cantou "Roll over Beethoven" sem entusiasmo algum, com seu filho e guitarrista Beto Lee fazendo o passo do pato característico do autor, Chuck Berry, o pai do rock. E "Eu sou terrível", homenagem a Erasmo Carlos, que chamou de pai do rock brasileiro.

O cenário tem oito painéis de leds e um telão central. Quando todos atacam em uníssono o visual do show fica deslumbrante, mas eles são usados no mesmo ritmo do show, parcimônia total. UM bom momento é em vítima, quando ela veste sobretudo numa introdução noir e um helicóptero ronca no telão em meio a paisagens urbanas.

O começo do show tem grande impacto. A vocalista Débora reis, as belas e longas pernas em meias arrastão, sentada numa cadeira, faz mímica de ''Hey big spender'', do musical da Broadway ''Sweet Charity", esbanjando gostosura e esquentando a platéia - o lado masculino, pelo menos.
Mas aí entra Vó Rita e banda a meia bomba cantando "Flagra", "Jardins da Babilônia", "Mutante", "Bem me quer" e as novas "Dinheiro" e "Tão" esta um rockão que empolgaria se o som estivesse bom. Rita pouco falou, deu malhadas em Renan Calheiros, no estupro da presidiária no Pará e na queda do "Curintcha" para a segunda divisão: "Se 2008 for o mesmo filme de horror 'tamo' fudido," pragueja ela. Fez a média de sempre com o Rio, agora que é cidadã carioca, título que recebeu em maio passado, quer a capital de volta ao Rio. Brincou com seus 60 anos recém completados para se queixar de mazelas nos olhos, dor na perna e necessidade de usar um tarja preta se algum psiquiatra na platéia descolasse uma receita.

Se este país fosse sério, Rita Lee, à essa altura, poderia ficar curtindo sua netinha e uma deliciosa aposentadoria no seu retiro serrano nos arredores de São Paulo, indo para sua casa em Miami quando desse na telha e fazendo aparições esporádicas para receber as devidas homenagens. Mas ainda é obrigada a correr atrás do prejuízo e sair em turnê com uma notória fadiga de palco. No show, ela diz que paga para não sair de casa e ainda que dinheiro sempre lhe falta, daí tem que se submeter a esquemas de empresários tão antigos quanto espertos como Manuel Poladian. Coisas da vida...
Show de Rita continua neste sábado, 19, e sexta e sábado da próxima semana 25 e 26 de janeiro. Ingressos de 100 a 200 paus. Uau!

Salve a Vovó Sessentona

O leitor Márcio Debellian mandou um comentário sobre o show em que demonstra uma sensibilidade que eu não tive. A seguir, a íntegra.

Rita Lee Rolling Stones_João.jpg
Foto: João

Também estive na estréia de Rita, concordo que alguns momentos foram mornos, mas acho que faltam alguns aspectos na sua análise.

Em primeiro lugar, show de Rita Lee sempre deveria ter pista. Com ingressos a preços proibitivos, não faria nada mal ao astral do show ter as laterais como pista, com todos dançando e cantando junto.

Concordo que Rita não está na plenitude da sua forma física, nada mais natural aos 60 anos, 40 deles se jogando no rock n roll. No entanto, este clima mais "morno", como você disse, tinha algo de reflexivo, de passar a vida a limpo. Aquele final com ''Ovelha Negra'' e a projeção da discografia completa foi muito emocionante. A repetição seguida da frase "eu sou mutante" no começo do show, várias interpretações com o deboche característico tropicalista, e a projeção de uma foto sua com Sérgio e Arnaldo, mostram uma Rita afirmativa em relação ao seu posto na antológica banda. O resgate de Carmem Miranda, de quem Rita é grande fã, ao final do show também foi um belo momento.

Sim, ela está cansada, com dor no corpo, enxergando mal, precisando de uma tarja preta e pode desmaiar a qualquer momento, mas pode olhar pra trás e ver que tudo valeu a pena. Existe uma certa nostalgia no tom do show, e acredito que isso tenha sido uma escolha consciente. É o momento do artista se deparando com a idade e apresentando isso de forma generosa e verdadeira ao seu público. Tal qual o Ney - só que este literalmente - este show trouxe um certo despir da Rita, expôs fragilidades e isso me parece corajoso.

Não me empolguei, dancei e cantei como em outros shows da Rita, mas certamente me emocionei de uma forma diferente e nova. Não dá pra fazer uma análise levando em conta o vigor de anos atrás, a proposta do show era absolutamente outra.

Ver Rita Lee no Canecão é sempre um privilégio! Salve a nossa Vovó Sessentona!

Por Marcio Debellian em janeiro 21, 2008 4:35 PM | | Comentários (2)


De Chico César para Bethânia Dentro do Mar tem rio.JPG


águia nordestina
a guiar meninos e meninas
como eu
comove-me vê-la
asas como velas abertas no céu

assistir teus partos
braços parcos barcos
lacrimejando portos
dando adeus

deusa d'água
iemanjá de cacimba
iansã iara minha irmã
curuminha cunhatã

meu coração
é uma cuia que transborda
um arco reteso
um bicho assustado de amor
um rumor de capim crescendo

águia nordestina
abre as asas sobre nós
meninas e meninos nus

ainda índios
para sempre teus

como filhos
novilhos
tordesilhos
mato adentro
mar afora
gotaquases
para sempre teus

Hoje chegou na minha casa um exemplar de "Dentro do Mar tem Rio", o último disco da Bethânia, que registra o show homônimo.

Fui ao show na primeira e na segunda temporada no Rio, então o repertório não foi a maior surpresa. O gostinho era poder ouvir tudo em casa, com calma, saborear as interpretações, arranjos, e ouvir e reouvir o Ultimatum, texto de Álvaro de Campos que é o ponto alto do espetáculo.

No entanto, logo ao abrir o disco, um susto no encarte. Um lindo poema de Chico César para Bethânia. Fez-me lembrar da primeira vez que fui a um show dela, Imitação da Vida, em 1996, um acontecimento que mudou a minha vida. Talvez o equivalente ao que toda uma geração diz sobre o "Chega de Saudade", do João Gilberto. Com a diferença que o espanto não era musical, mas dramático e poético.

Fui ao show "inadvertidamente", convidado por um amigo, sem fazer idéia da força de Bethânia no palco, e muito menos que o espetáculo era todo costurado por textos de Fernando Pessoa. Duplo-impacto, soco no estômago, luz na alma. Tive que voltar ao show no dia seguinte, comprar obras completas de Pessoa, mergulhar naquele universo que me chegou pela música. Daquele dia em diante, passei a ser mais um menino guiado pela águia nordestina.

Por Marcio Debellian em dezembro 18, 2007 10:59 PM | | Comentários (0)


Marcio Debellian
Me formei em Economia na PUC-RJ em 1999, e logo depois cursei uma Pós Graduação em Marketing lá mesmo, no IAG. Fiz formação em Teatro na CAL e no Laura Alvim. Sou apaixonado por música desde sempre. Coisas de família: meu avô dorme de rádio ligado até hoje. Fundei a Debê em 2004. Fazemos consultoria em comunicação para grandes empresas. Palavra Encantada é meu primeiro trabalho com cinema. O próximo ainda está no papel.


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