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Sabe Você

Chegou esta semana o novo CD e DVD do Leo Gandelman, Sabe Você. Assino a seleção de repertório junto com ele. Esse foi o nome que encontramos para enquadrar algo que é menos formal do que isso. O que aconteceu foram dois amigos trocando idéias, ouvindo música juntos, tomando whisky, batendo papo, se emocionando.

Leo tinha uma lista inicial, fomos acrescentando outras músicas juntos. Chegamos a uma lista grande, que depois foi sendo podada, até chegar ao resultado final. Começamos a imaginar os convidados para cada música, quem cantaria o que - um grande privilégio poder pensar coisas como "vamos chamar o Caetano para cantar a música do Tito Madi"?

Leo conseguiu um time luxuoso: Caetano, Chico, Joel do Bandolim, Leila Pinheiro, Leny Andrade, Lirinha, Luiz Melodia, Milton Nascimento e Ney Matogrosso. Foi bonito vê-los em estúdio, criando juntos, a forma como cada um coloca a voz, a atenção ao detalhe de uma nota, os cuidados na hora de aprovar a versão final.

Leo e Chico.jpg

O repertório ficou assim:

1. Sensível (Pixinguinha) com Joel Nascimento
2. Aos Pés da Cruz (Marino Pinto e Zé da Zilda) com Luiz Melodia
3. Chove lá Fora (Tito Madi) com Caetano Veloso
4. Pra Machucar meu coração (Ary Barroso) com Ney Matogrosso
5. Só por Amor (Baden Powell e Vinicius de Moraes) com Lirinha
6. Sabe você (Carlos Lyra) com Leny Andrade
7. Amargura (Radames Gnattali) - Instrumental
8. Futuros Amantes (Chico Buarque) com Chico Buarque
9. Por Causa de Você (Tom Jobim e Dolores Duran) com Milton Nascimento
10. Coração Vagabundo (Caetano Veloso) com Leila Pinheiro
11. Chuva (Durval Ferreira) - Instrumental

Renato Martins e Felipe Nepomuceno da URCA Filmes fizeram um registro em DVD. Ficou bem sofisticado, preto e branco, fotografia do Lula Carvalho. Vale a pena conferir.

Ney eu e Melodia.jpg

Fotos: Tomas Rangel

Por Marcio Debellian em dezembro 26, 2008 2:44 AM | | Comentários (0)


Vitrola

Sou daqueles que nunca deixou de ter vitrola. Quando alguém fala em dar seus LPs porque são um entulho, ocupam muito espaço, não servem mais... eu saio recolhendo, faço uma seleção, e trago para casa.

Ano passado a minha vitrola quebrou. Ela até era moderninha, comprada em 1990, um daqueles conjuntos vitrola-cd-tape-rádio. Pois bem, ninguém conseguia consertá-la, não encontravam peça de reposição. Até tentaram uma gambiarra, mas o "prato" começou a rodar mais rápido do que deveria, e tudo virou um fast-forward permanente!

Aproveitei uma viagem recente para os EUA e trouxe uma vitrola Crosley, que é uma maleta, com entrada USB, caixas de som embutidas, e programa para tratar eventuais ruídos. Ou seja, se quiser posso copiar meus vinis para o computador e ainda dar uma "guaribada" no som. Tudo isso por US$ 140!!

A vitrola abre muitas possibilidades de diversão. Outro dia, uma amiga chegou de viagem depois de um tempo fora e foi direto lá para casa. Recebi-a com Fafá de Belém cantando o Hino Nacional!! Uma recepção patriótica-dramática!

DSC01300.JPG

Isso me fez lembrar a morte de Tancredo. Eu tinha 7 anos e, enquanto minha irmã passou um tempinho querendo dormir com os meus pais, com medo de que o espírito de Tancredo viesse assombrá-la, eu gostava de ouvir "Coração de Estudante", de Milton Nascimento, e Fafá "O HINO"!!!Tenho impressão que essas músicas tocavam exaustivamente na TV e no rádio e viraram símbolo daquele momento, porque isso ficou muito marcado na minha memória.

Outro prazer tem sido ler dedicatórias antigas nas capas dos vinis. Sejam dedicatórias amorosas de LPs que comprei em sebos (descartados por casos terminados, desilusões amorosas talvez?), ou bilhetes dedicados a alguém que me doou seus LPs. Encontrei uma dedicatória da minha mãe para a minha avó em 68, incluindo apelidos da época, que tinham ficado "adormecidos" e voltaram à tona por conta da capa do LP!

Adoro meu I-pod e a possibilidade de passear com 80G de música por aí, fazer playlist, brincar com a sorte no shuffle... Aliás, minha preocupação com tecnologia sempre foi mais direcionada à música. Não consigo esquecer quando comprei meu walkman azul aos 12 anos. Ele me custou 19 pounds. Lembro da cena de sair da loja com um sorriso de orelha a orelha. Antes dele tive um pretinho da sony, comprado no freeshop em 1987. Quando fiz 15 anos, ganhei meu walkman amarelo à prova d'água. Mais tarde passei para o diskman, com baterias recarregáveis e caixas de som externas para viagens! Esse aí foi um presente para o meu pai, mas eu roubei dele. Até que chegou a vez do meu i-pod mini verde (Carmel trouxe de viagem para mim) e agora o i-pod preto classic de 80G. Tudo isso é ótimo, mas a vitrola tem um ritual especial, e uma incrível capacidade de colocar o passado para rodar, não só musicalmente!

Por Marcio Debellian em setembro 18, 2008 12:59 AM | | Comentários (2)


Roberto e Caetano

O show de Roberto Carlos e Caetano Veloso em homenagem a Tom Jobim foi concebido para ser um encontro histórico. E de fato foi.

Mas acho que poderia ter sido ainda mais. Por que um show somente no Municipal, com mais convidados que pagantes, sem deixar o grande público participar da festa?

Por que não a Praia de Ipanema, ar livre, cristo redentor braços abertos sobre a Guanabara? Já imaginou o povão vendo show desses e cantando junto o repertório de Tom Jobim? Um pouco mais do espírito Jovem Guarda e Tropicalista faria muito bem a esta enxurrada de homenagens à Bossa Nova.

E por se tratar de fato raro ver os dois em cena juntos, bem que poderia ter rolado um bis com "Debaixo dos Caracóis dos seus cabelos" e "Força Estranha", músicas bem emblemáticas da história dos encontros dos dois. Para arrematar, "As curvas da estrada de Santos", que Roberto mostrou para Caetano na casa dele em Londres, durante o exílio, levando-o às lágrimas.

OBS: Caetano conta esta história no documentário Circuladô, de José Henrique Fonseca e Walter Salles, vale a pena ver.

robertocaetano.jpg
Por Marcio Debellian em agosto 26, 2008 2:56 PM | | Comentários (0)


A Creche do Tom Zé

Quando fizemos a entrevista com Tom Zé para o filme Palavra Encantada, ele nos contou sua teoria sobre a "creche tropicalista", ressaltando as babás-preceptoras que rondavam o recôncavo bahiano.

Acabamos não usando a fala no filme, mas navegando no blog dele, encontrei este diagrama que explica ainda mais o fato! Abaixo vai um trechinho do depoimento do Tom Zé para o filme e o diagrama da creche.


"Na creche que nascemos eu, Caetano e Gil, nós ficávamos - é importante isso, porque nós ficávamos grande parte da juventude, de zero aos três anos de idade - em muito contato com o inominável. Porque a criança era deixada no berço, ninguém ficava lá balançando nada pra ela, era deixada no berço, digamos assim, filosofando. E uma criança falava com três anos de idade, uma criança normal não era como hoje que fala com um ano de idade, uma criança normal falava com três anos de idade. Então esse tempo de contato, esse tempo metafísico, digamos assim, era uma coisa muito importante pra criação da gente, para o que ia acontecer. Porque quando a gente começasse a olhar em volta, a gente ia encontrar vários tipos de professores, do século XI, XII, X, IX...."

Creche do Tom Zé.JPG
Por Marcio Debellian em julho 11, 2008 5:10 PM | | Comentários (0)


Joan Brossa - Parasit parasit.jpg
Por Marcio Debellian em junho 16, 2008 2:35 PM | | Comentários (0)


Macy Grave macy_gray_3.jpg

Acabei de chegar do show da Macy Gray. Fui por impulso: meu amigo Andre Mux me ligou no fim da tarde me oferecendo um convite e, como raramente recuso convites para shows (mesmo que conheça pouco do artista), topei.

Bom, 1h30m de atraso supera o razoável de qualquer carioca, mas compreendi a cantora quando às 21h45m desci à pista e vi o Vivo Rio ainda bem vazio. Era melhor deixar o pessoal chegar, e começar com a casa ao menos meia-bomba.

O Show começa e o pessoal do som demorou umas 3 músicas para conseguir fazer a voz da cantora chegar ao público. O som estava bem embolado mesmo. No primeiro momento de conversa com o público - aquele esquemão brazil-pelé-caipirinha-flamengo - Macy diz que o baterista deu um google no Rio de Janeiro e soube que os cariocas são super festivos, sexys, simpáticos, bebem muito e por isso "don't notice the mistakes that happen on stage". OK, carioca bebe um pouquinho, mas não precisa abusar da nossa boa índole. O show não estava mesmo muito legal e nem natação num tonel de cachaça resolveria a questão.

O show não tinha cenário, apenas luz (bacana, por sinal) e um pedestal de microfone banhado em purpurina prateada. As duas backing-vocals eram divertidas, especialmente a gordinha aniversariante do dia.

Mais pro final, o show deu uma melhorada, o pessoal até se empolgou, mas na verdade, senti falta de me oferecerem algo a deglutir, tropicalizar, antropofagizar. Em suma: Não vi nada de novo ou surpreendente no show.

Acho que teriam melhor carreira no circuito Oklahoma-Arkansas-Illinois-Detroit.

Por Marcio Debellian em maio 30, 2008 2:02 AM | | Comentários (0)


Rio, 25 de maio, te envio um sorriso, te desejo uma praia.

04 fraterno.mp3

Tenho ouvido tanto esta música, que seria impossível passar o 25 de maio desapercebido. Bela composição do Pedro Luis, interpretação irretocável do Ney.

Por Marcio Debellian em maio 25, 2008 10:12 AM | | Comentários (0)


Mariana Aydar Mariana Aydar.jpg

Sexta-feira, fui ao show da Mariana Aydar no Teatro Odisséia, na Lapa. Das novas cantoras da MPB, ela é das que mais gosto. Mariana é divertida em cena, canta bem, tem prazer de estar no palco e um ótimo repertório. O som não estava muito bom, com vários momentos de microfonia, ao ponto da cantora tirar o earphone e, usando suas próprias palavras, "ir na raça mesmo". Este espírito faz toda a diferença.

Conversando recentemente com meu amigo Rodrigo Faour, falávamos do tempo em que ser cantora era mal visto, coisa de "puta", e que quem quisesse seguir na profissão tinha que enfrentar muitos obstáculos e ter muita vontade. Por isso, só as melhores acabavam aparecendo. Sinto falta desta pegada nas cantoras que surgem num tempo em que a profissão virou sinônimo de glamour. Mariana me parece ter este "tesão" pelo que faz.

O show tem como base o repertório do disco "Kavita 1", mas inclui algumas outras músicas. Destaque para a bela interpretação de "Beleza Pura", de Caetano Veloso - com a ressalva da cantora de que "faz parte do show bem antes da novela".

Bons ventos soprem Mariana mais vezes aos palcos cariocas!

Por Marcio Debellian em abril 20, 2008 7:43 PM | | Comentários (0)


Shows do Fim de Semana: Arnaldo Antunes / Bethânia e Omara Portuondo

Arnaldo.jpg

O show do Arnaldo Antunes no Circo Voador foi tão bom, mas tão bom, que se eu fosse ele, da próxima vez, ao invés de "Ao Vivo no Estúdio", faria "Ao Vivo no Circo mesmo"...

A formação da banda, sem percussão ou bateria, apenas com violão, guitarra, teclado e sanfona, resulta bem ao vivo. Os videografismos projetados no fundo do palco são de primeira, mas isso não é novidade para quem conhece outros trabalhos dele, como o DVD "Nome".

Arnaldo é um dos nossos maiores letristas, mas o show surpreende também por ótimas interpretações de outros compositores Destaque para ele cantando "Exagerado", do Cazuza, sentado na beira do palco, com direito a um medley com "Sem pecado e sem Juízo", de Baby do Brasil. Além de "Qualquer Coisa", do Caetano, e "Desafinado" que, na voz dele e com todo mundo cantando junto, foram momentos ótimos.

Na domingueira, fui ver Omara Portuondo e Bethânia, e aconteceu algo que nunca imaginei. A cubana rouba completamente a cena. Omara é uma espécie de Nina Simone latino-americana, não faz força pra cantar, tem muito carisma e um vozeirão enorme, leva o público junto, é simpática, enfim, arrebatou o Canecão.
E Bethânia que para mim sempre foi a melhor dos palcos, acaba um pouco apagada... Difícil de acreditar? Se me contassem, também desconfiaria.

Bethânia e Omara.jpg
Por Marcio Debellian em março 11, 2008 3:29 PM | | Comentários (0)


O Punk do Brasil tim maia.jpg

A biografia de Tim Maia, escrita por Nelson Motta, é daqueles livros que você não consegue largar, e volta e meia te leva a uma gargalhada. Gargalhar de livro é bom demais! Ai não tem jeito, tem que parar, responder "o que aconteceu?". ler o trecho para todos na casa, respirar fundo, e continuar. Conclusão: diversão para toda a família! ;-)

Por Marcio Debellian em fevereiro 23, 2008 1:10 PM | | Comentários (0)


Marcio Debellian
Me formei em Economia na PUC-RJ em 1999, e logo depois cursei uma Pós Graduação em Marketing lá mesmo, no IAG. Fiz formação em Teatro na CAL e no Laura Alvim. Sou apaixonado por música desde sempre. Coisas de família: meu avô dorme de rádio ligado até hoje. Fundei a Debê em 2004. Fazemos consultoria em comunicação para grandes empresas. Palavra Encantada é meu primeiro trabalho com cinema. O próximo ainda está no papel.


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