Página principalClientesConsultoria em comunicaçãoProjetos culturais
Blog Deu na telha

Recently in Dr. Divago Category

Festival do Rio / Palavra (En)Cantada / Apenas o fim

Ontem foi o último dia do Festival, o primeiro que participei com um filme em competição. Então teve um sabor especial. E como era bom fazer a maratona Palácio/Odeon, intervalos no Ateliê Culinário, papos, amigos, bons filmes alimentando a alma.

Foi muito emocionante ver o reconhecimento do Palavra (En)Cantada, por meio do Prêmio de Melhor Direção de documentário concedido à Helena Solberg. Só isso já garantiria uns dias de sorriso largo, mas outra coisa me deixou especialmente feliz: os prêmios dados a "Apenas o Fim", do Matheus Souza.

O filme é ótimo, tem diálogos inteligentes e retrata de maneira sensível o modo de se relacionar de uma geração. Enquanto o casal vai discutindo o término do namoro, o texto bem humorado, a cumplicidade entre os dois e os flashbacks de conversas antigas fazem crer que eles têm uma vida feliz. Por que terminar? A personagem da Erika Mader apenas tem que seguir, não diz para onde vai, não dá maiores explicações, ela apenas vai. É apenas o fim. Simples assim, sem drama. A vida segue. E como essa dor silenciosa é difícil...

Apenas o fim.jpg

Me identifiquei com essa necessidade de solidão, com a não-acomodação, essa vontade de viver sentimentos diferentes, apesar de se estar vivendo uma relação que parece boa. É um sentimento que me lembra a música do Antônio Cícero e Marina: "eu quero tudo o que há, o mundo e seu amor, não quero ter que optar". Essa "contradição" é uma busca do nosso tempo.

Mas o melhor de tudo foi ver aquela galera da PUC subindo no palco, felizes, unidos, recebendo o prêmio por um filme que começou seu financiamento com a venda de uma rifa de whisky. Um filme feito com mais suor e talento do que dinheiro. Parece que o orçamento foi R$ 14 mil. Que frescor, que energia positiva. Sai do Odeon revigorado por vê-los felizes.

Foi um belo exemplo de que vale persistir nos sonhos, descobrir caminhos, não apostar em fórmulas prontas. A paixão foi o maior combustível. E o filme transpira isso na tela. Parabéns a todos. Parabéns a Marisa Leão, inteligente e sensível, que deu uma força para esses meninos colocarem o filme na rua.

Por Marcio Debellian em outubro 10, 2008 6:25 PM | | Comentários (2)


Vitrola

Sou daqueles que nunca deixou de ter vitrola. Quando alguém fala em dar seus LPs porque são um entulho, ocupam muito espaço, não servem mais... eu saio recolhendo, faço uma seleção, e trago para casa.

Ano passado a minha vitrola quebrou. Ela até era moderninha, comprada em 1990, um daqueles conjuntos vitrola-cd-tape-rádio. Pois bem, ninguém conseguia consertá-la, não encontravam peça de reposição. Até tentaram uma gambiarra, mas o "prato" começou a rodar mais rápido do que deveria, e tudo virou um fast-forward permanente!

Aproveitei uma viagem recente para os EUA e trouxe uma vitrola Crosley, que é uma maleta, com entrada USB, caixas de som embutidas, e programa para tratar eventuais ruídos. Ou seja, se quiser posso copiar meus vinis para o computador e ainda dar uma "guaribada" no som. Tudo isso por US$ 140!!

A vitrola abre muitas possibilidades de diversão. Outro dia, uma amiga chegou de viagem depois de um tempo fora e foi direto lá para casa. Recebi-a com Fafá de Belém cantando o Hino Nacional!! Uma recepção patriótica-dramática!

DSC01300.JPG

Isso me fez lembrar a morte de Tancredo. Eu tinha 7 anos e, enquanto minha irmã passou um tempinho querendo dormir com os meus pais, com medo de que o espírito de Tancredo viesse assombrá-la, eu gostava de ouvir "Coração de Estudante", de Milton Nascimento, e Fafá "O HINO"!!!Tenho impressão que essas músicas tocavam exaustivamente na TV e no rádio e viraram símbolo daquele momento, porque isso ficou muito marcado na minha memória.

Outro prazer tem sido ler dedicatórias antigas nas capas dos vinis. Sejam dedicatórias amorosas de LPs que comprei em sebos (descartados por casos terminados, desilusões amorosas talvez?), ou bilhetes dedicados a alguém que me doou seus LPs. Encontrei uma dedicatória da minha mãe para a minha avó em 68, incluindo apelidos da época, que tinham ficado "adormecidos" e voltaram à tona por conta da capa do LP!

Adoro meu I-pod e a possibilidade de passear com 80G de música por aí, fazer playlist, brincar com a sorte no shuffle... Aliás, minha preocupação com tecnologia sempre foi mais direcionada à música. Não consigo esquecer quando comprei meu walkman azul aos 12 anos. Ele me custou 19 pounds. Lembro da cena de sair da loja com um sorriso de orelha a orelha. Antes dele tive um pretinho da sony, comprado no freeshop em 1987. Quando fiz 15 anos, ganhei meu walkman amarelo à prova d'água. Mais tarde passei para o diskman, com baterias recarregáveis e caixas de som externas para viagens! Esse aí foi um presente para o meu pai, mas eu roubei dele. Até que chegou a vez do meu i-pod mini verde (Carmel trouxe de viagem para mim) e agora o i-pod preto classic de 80G. Tudo isso é ótimo, mas a vitrola tem um ritual especial, e uma incrível capacidade de colocar o passado para rodar, não só musicalmente!

Por Marcio Debellian em setembro 18, 2008 12:59 AM | | Comentários (2)


Barco deitado na areia não dá pra viver caront - Joan Brossa.jpg

Joan Brossa - Caront

Por Marcio Debellian em junho 19, 2008 1:46 PM | | Comentários (0)


Joan Brossa - Parasit parasit.jpg
Por Marcio Debellian em junho 16, 2008 2:35 PM | | Comentários (0)


Fucking for Virginity Bombing for peace.jpg

Essa eu achei no blog da Jojo, que está cada vez melhor, e gostei tanto que resolvi reproduzir aqui.


Por Marcio Debellian em maio 14, 2008 1:37 PM | | Comentários (0)


Ensina-me a viver Ensina-me a viver.jpg

Quem estiver em SP, não deixe de ver a montagem de "Ensina-me a viver", com Glória Menezes e Arlindo Lopes, direção do João Falcão.

Nunca vi o filme, então este foi meu primeiro contato com a história. A montagem é sublime. Tudo é bom. Cenário, atuações, luz, trilha sonora...

Mais legal ainda, foi saber que este foi um sonho do Arlindo desde que se formou na CAL. Apaixonou-se pelo texto, comprou os direitos da peça e correu atrás para fazer a produção acontecer.

Como é bom ver um sonho realizado em grande estilo.


Por Marcio Debellian em abril 7, 2008 7:39 PM | | Comentários (2)


Cabelo Cabeleira Cabeluda Descabelada cabelereiro.jpg

Anúncio que encontrei no corredor do hotel onde estou hospedado em SP. Alguém sabia que existem torneios internacionais de cabelereiros? Será que alguém já venceu com um coque-banana?

Por Marcio Debellian em março 27, 2008 1:45 PM | | Comentários (0)


Clarice pelas frestas Clarice.JPG
Foto: Ramon Mello

Em Recife tem uma praça com uma estátua da Clarice Lispector, em frente à casa onde ela morou quando criança. Só que com a folia carnavalesca, Clarice foi cercada por tapumes para evitar eventuais vândalos. Chegamos em Recife depois do Carnaval, mas mesmo assim, ela ainda estava escondida. O único jeito de vê-la, foi pelas frestas...

Por Marcio Debellian em fevereiro 28, 2008 2:08 AM | | Comentários (1)


Socraticamente

E eu perguntei: "Mas Claudia, como posso dizer uma coisas dessas a elas?"
E Claudia respondeu: "Socraticamente!"

Por Marcio Debellian em novembro 3, 2007 11:54 PM | | Comentários (0)


O dilema da meia-entrada

A farra da carteirinha de estudante me deixa irritado. Sou daqueles poucos, talvez 10%, que não pagam meia-entrada em shows, cinemas e peças teatrais. Como pode existir tanta gente pagando meia-entrada? O resultado é que qualquer produtor cultural calcula o valor do ingresso sabendo que quase a totalidade do seu borderô será de pagantes de meia-entrada e, por isso, alguns "otários" acabam por arcar com preços distorcidos. No último mês, fui a dois shows do TIM Festival e já comprei meu ingresso para o show do THE POLICE. No total, paguei R$ 285,00 a mais que todos os meus amigos que compraram os mesmos ingressos.

Comentando este assunto recebi, surpreso, duas sugestões de jeitinho brasileiro:

- Matricule-se na Estácio de Sá, curso de geografia, Campus São Gonçalo. A mensalidade é de R$ 160,00. Pague a matrícula, tire a sua carteirinha de estudante que será válida pelo ano inteiro e nunca freqüente o curso. Este valor vai ser bem menor do que tudo o que você vai gastar ao longo do ano em cultura.

- Pegue o boleto de pagamento da faculdade de um amigo seu. Digitalize, troque para o seu nome e vá até a UNE tirar uma carteirinha verdadeira.

É muito claro que esta lei não funciona de maneira correta. Quase todo mundo tem carteirinha e os preços já refletem isso. Restam perguntas: Quais são as verdadeiras regras do jogo, as estipuladas pela lei, ou aquelas verificadas na prática? Se uma lei não é efetiva, vale a pena cumpri-la?

Por Marcio Debellian em novembro 3, 2007 11:51 PM | | Comentários (0)


Marcio Debellian
Me formei em Economia na PUC-RJ em 1999, e logo depois cursei uma Pós Graduação em Marketing lá mesmo, no IAG. Fiz formação em Teatro na CAL e no Laura Alvim. Sou apaixonado por música desde sempre. Coisas de família: meu avô dorme de rádio ligado até hoje. Fundei a Debê em 2004. Fazemos consultoria em comunicação para grandes empresas. Palavra Encantada é meu primeiro trabalho com cinema. O próximo ainda está no papel.


Contato RSS
Palavra Encantada
Novos clientes 2008
Créditos do site