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Contei para Branca Lee (acá Dalau) sobre meu Carnaval. Ela me mandou este poema do Gullar.
Este fevereiro azul
como a chama da paixão
nascido com a morte certa
com prevista duração
deflagra suas manhãs
sobre as montanhas e o mar
com o desatino de tudo
que está para se acabar
A carne de fevereiro
tem o sabor suicida
de coisa que está vivendo
vivendo mas já perdida
Mas como tudo que vive
não desiste de viver,
fevereiro não desiste:
vai morrer, não quer morrer,
E a luta de resistência
se trava em todo lugar:
por cima dos edifícios
por sobre as águas do mar.
O vento que empurra a tarde
arrasta a fera ferida,
rasga-lhe o corpo de nuvens,
dessangra-a sobre a Avenida
Vieira Souto e o Arpoador
numa ampla hemorragia.
Suja de sangue as montanhas,
tinge as águas da baía.
E nesse esquartejamento
a que outros chamam verão,
fevereiro ainda agoniza
resiste mordendo o chão.
Sim, fevereiro resiste
como uma fera ferida.
É essa esperança doida
que é o próprio nome da vida.
Vai morrer, não quer morrer.
Se apega a tudo que existe:
na areia, no mar, na relva,
no meu coração - resiste.
"A spiral has two directions it can turn in upon itself, contracting and tightening up, or it can open out arms from the center towards infinity. The question is: where do you place yourself? In my work, I emotionally and psychologically oscilate between the two directions. The spiral means that a theme can disappear and reapper 20 years later."
"It is not so much where my motivation comes from, but rather how it manages to survive"
"I need my memories
They are my documents"
A vida é crua. Faminta como o bico dos corvos.
E pode ser tão generosa e mítica: arroio, lágrima
Olho d'água, bebida. A Vida é líquida.
Trecho de Alcoólicas, Hilda Hilst
"Quando Bernard Shaw esteve nos Estados Unidos foi convidado a visitar a estátua da liberdade, mas recusou-se afirmando que seu gosto pela ironia não ia tão longe. Aquelas coisas pontiagudas colocadas na cabeça da liberdade ninguém sabe o que sejam. Parecem previsão de defesa antiaérea. Coroa de louros certamente não é. Antigamente, era costume coroar-se heróis e deuses com coroas de louros. Mas quando a estátua da liberdade foi doada aos Estados Unidos, nós os brasileiros já tínhamos desmoralizado o louro, usando-o para dar gosto no feijão."
"O que eu era antes não me era bom. Mas era desse não bom que eu havia organizado o melhor: a esperança. De meu próprio mal havia criado um bem futuro. O medo agora é que meu novo modo não faça sentido? Mas por que não me deixo guiar pelo que for acontecendo? Terei que correr o sagrado risco do acaso. E substituirei o destino pela probabilidade."
"Não sei o que fazer da aterradora liberdade que pode me destruir. Mas enquanto eu estava presa, estava contente? Ou havia, e havia, aquela coisa sonsa e inquieta em minha feliz rotina de prisioneira?"
"Quem sabe me aconteceu apenas uma lenta e grande dissolução? E que minha luta contra essa desintegração está sendo esta: a de tentar agora dar-lhe uma forma? uma forma contorna o caos, uma forma dá construção à substância amorfa."
"... então pelo menos eu tenha coragem de deixar que essa forma se forme sozinha como uma crosta que por si mesma endurece, a nebulosa de fogo que se esfria em terra. E QUE EU TENHA A GRANDE CORAGEM DE RESISTIR À TENTAÇÃO DE INVENTAR UMA FORMA."
Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive










