Arquivo de abril 2008
A vida é crua. Faminta como o bico dos corvos.
E pode ser tão generosa e mítica: arroio, lágrima
Olho d'água, bebida. A Vida é líquida.
Trecho de Alcoólicas, Hilda Hilst
"Nada no bolso ou nas mãos - foi tirado diretamente da última página de As Palavras de Sartre: numa brincadeira comigo mesmo, eu tinha enfiado uma linha do que para mim era o mais profundo dos livros numa canção de circunstância."
Extraído do livro Verdade Tropical, de Caetano Veloso.
"Foi como nascer, como a experiência de ter Deus, fiat lux, a primeira emoção estética."
Tom Zé, sobre Os Sertões, de Euclides da Cunha.
Sexta-feira, fui ao show da Mariana Aydar no Teatro Odisséia, na Lapa. Das novas cantoras da MPB, ela é das que mais gosto. Mariana é divertida em cena, canta bem, tem prazer de estar no palco e um ótimo repertório. O som não estava muito bom, com vários momentos de microfonia, ao ponto da cantora tirar o earphone e, usando suas próprias palavras, "ir na raça mesmo". Este espírito faz toda a diferença.
Conversando recentemente com meu amigo Rodrigo Faour, falávamos do tempo em que ser cantora era mal visto, coisa de "puta", e que quem quisesse seguir na profissão tinha que enfrentar muitos obstáculos e ter muita vontade. Por isso, só as melhores acabavam aparecendo. Sinto falta desta pegada nas cantoras que surgem num tempo em que a profissão virou sinônimo de glamour. Mariana me parece ter este "tesão" pelo que faz.
O show tem como base o repertório do disco "Kavita 1", mas inclui algumas outras músicas. Destaque para a bela interpretação de "Beleza Pura", de Caetano Veloso - com a ressalva da cantora de que "faz parte do show bem antes da novela".
Bons ventos soprem Mariana mais vezes aos palcos cariocas!
Quem estiver em SP, não deixe de ver a montagem de "Ensina-me a viver", com Glória Menezes e Arlindo Lopes, direção do João Falcão.
Nunca vi o filme, então este foi meu primeiro contato com a história. A montagem é sublime. Tudo é bom. Cenário, atuações, luz, trilha sonora...
Mais legal ainda, foi saber que este foi um sonho do Arlindo desde que se formou na CAL. Apaixonou-se pelo texto, comprou os direitos da peça e correu atrás para fazer a produção acontecer.
Como é bom ver um sonho realizado em grande estilo.










