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Blog Deu na telha

Arquivo de março 2008

Cabelo Cabeleira Cabeluda Descabelada cabelereiro.jpg

Anúncio que encontrei no corredor do hotel onde estou hospedado em SP. Alguém sabia que existem torneios internacionais de cabelereiros? Será que alguém já venceu com um coque-banana?

Por Marcio Debellian em março 27, 2008 1:45 PM | | Comentários (0)


Shows do Fim de Semana: Arnaldo Antunes / Bethânia e Omara Portuondo

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O show do Arnaldo Antunes no Circo Voador foi tão bom, mas tão bom, que se eu fosse ele, da próxima vez, ao invés de "Ao Vivo no Estúdio", faria "Ao Vivo no Circo mesmo"...

A formação da banda, sem percussão ou bateria, apenas com violão, guitarra, teclado e sanfona, resulta bem ao vivo. Os videografismos projetados no fundo do palco são de primeira, mas isso não é novidade para quem conhece outros trabalhos dele, como o DVD "Nome".

Arnaldo é um dos nossos maiores letristas, mas o show surpreende também por ótimas interpretações de outros compositores Destaque para ele cantando "Exagerado", do Cazuza, sentado na beira do palco, com direito a um medley com "Sem pecado e sem Juízo", de Baby do Brasil. Além de "Qualquer Coisa", do Caetano, e "Desafinado" que, na voz dele e com todo mundo cantando junto, foram momentos ótimos.

Na domingueira, fui ver Omara Portuondo e Bethânia, e aconteceu algo que nunca imaginei. A cubana rouba completamente a cena. Omara é uma espécie de Nina Simone latino-americana, não faz força pra cantar, tem muito carisma e um vozeirão enorme, leva o público junto, é simpática, enfim, arrebatou o Canecão.
E Bethânia que para mim sempre foi a melhor dos palcos, acaba um pouco apagada... Difícil de acreditar? Se me contassem, também desconfiaria.

Bethânia e Omara.jpg
Por Marcio Debellian em março 11, 2008 3:29 PM | | Comentários (0)


Palavra Encantada

Mais alguns dias, e o Palavra Encantada fecha a tampa, vai para a finalização e mixagem e depois disso é batalhar pelo lançamento, distribuição, mídia, festivais etc.

Desde a idéia-grão até hoje, passaram-se quase 3 anos. O primeiro impulso consciente de querer transformar a relação música-poesia em um projeto veio em 2005, mas hoje tenho a noção de que o tempo criativo não pode ser cartesianamente mensurável.

Vejo que o Palavra Encantada já se formava no banco de trás do carro do meu pai, ouvindo Matita Perê aos 8 anos de idade e achando lindo, sem absoluta noção de que aquilo era inspirado no universo de Guimarães Rosa.

Ele também estava ali, nas explicações da minha mãe sobre as letras de Chico Buarque e Caetano Veloso: "o cálice" que era "cale-se" e a poesia concreta das esquinas de Sampa.

Estava no meu avô, que a vida inteira dormiu de rádio ligado, inclusive nos dias em que dormia comigo no meu quarto.

Estava no caderno de violão da minha irmã que, com seus dedos tortos, tocava Lupicínio Rodrigues, Vinícius e os três hits que eu sempre pedia bis: Sá Marina, O Vira e Na Rua, na Chuva, na Fazenda. Isto devia ser 1984...

Estava na minha compulsão em comprar música brasileira nos dois anos que passei fora do país. Adolescente dramático, sentia-me exilado, e a música era a minha forma de voltar para casa.

Estava na descoberta de Antônio Cícero, em 1993, que chegava até mim pelo disco "O Chamado" da Marina, que trazia dois poemas primorosos, "Guardar" e "Eu vi o Rei Passar".

Estava no espanto de ver, pela primeira vez, Maria Bethânia em cena declamando Fernando Pessoa, no show Imitação da Vida e, mais ainda, nas inúmeras noites divertidas com Branca Lee (e a nossa unidade móvel Feitifilha) no Canecão.

Estava no Ciruladô, que eu achava que era de Caetano, mas é de Haroldo de Campos.

Acho que o que aconteceu em 2005 não foi apenas uma boa idéia e a vontade de se aprofundar nela, mas uma faísca que veio para dar forma a memórias afetivas. O Palavra Encantada nasce de sentimentos absolutamente sinceros. Talvez por isso, este projeto tenha atraído pessoas tão especiais, como a Helena Solberg e o David Meyer, que tiveram disposição para transformar amor à música em cinema. Amor compartilhado por pesquisadores de primeira grandeza, no sentido mais amplo do termo, como Julio Diniz, Fred Coelho e Heloísa Tapajós, e pela grande montadora e roteirista, Diana Vasconcellos, uma amizade-presente que quero cultivar para o resto da vida.

Não posso deixar de mencionar também a sensibilidade de pessoas como Vera Esaú, Ricardo Daumas, Simone Soares, Marcelo Cunha, Claudia Cordeiro e Elio Silva, que se identificaram com o projeto e nos ajudaram a viabilizar o filme em apenas um ano.

Terminar o Palavra Encantada é como fechar um ciclo de aprendizado que traz felicidade e deixa vazios. Com o vazio vem uma grande vontade de se apaixonar novamente por uma idéia, respeitá-la, cultivá-la e aguardar por uma outra faísca.

Por Marcio Debellian em março 4, 2008 2:39 PM | | Comentários (1)


Palavra Encantada - Estado de São Paulo, Caderno 2 - 03/03/2008

Eu, Helena e Adriana.JPG

Adriana Calcanhotto, o autor do argumento, Marcio Debellian, e Helena Solberg
Foto: Claudia Elias

Novos ''''trovadores'''' discutem se letra de música é poesia

Longa Palavra Encantada, de Helena Solberg, que deve entrar em cartaz em junho, reúne nata dos compositores brasileiros

Por Roberta Pennafort

Letra de música é poesia? O novo longa da cineasta Helena Solberg, Palavra Encantada, não responde a pergunta - nem se propõe a isso -, mas bota lenha nessa velha discussão. No documentário, alguns dos mais notáveis compositores brasileiros depõem sobre o assunto. Chico Buarque nega ser poeta e conta que se incomoda quando o classificam dessa forma. Paulo César Pinheiro acha que Chico faz, sim, poesia. Já Adriana Calcanhotto diz não ter tempo para este tipo de debate, o qual considera ''''infértil''''.

O filme ainda está sendo finalizado e deverá entrar em cartaz provavelmente em junho, mas Helena convidou o Estado para uma sessão prévia na quinta-feira, no Rio. É Adriana quem abre e fecha o longa. O ponto de partida são os trovadores provençais. A cantora e compositora gaúcha lembra Arnaut Daniel, considerado um dos maiores poetas de todos os tempos - depois citado também por Lenine. ''''Qualquer cara que canta o que compõe e faz uma crônica é descendente direto da figura do trovador'''', ele considera.

A divulgação da poesia por nossos cantores também é assunto de Palavra Encantada. Maria Bethânia, que há anos enxerta textos literários em seus shows (Fernando Pessoa, Sophia de Mello Breyner, Ferreira Gullar e Lya Luft são alguns dos autores que ela declama), surge recitando Eros e Psique, de Pessoa. Lirinha, vocalista do grupo Cordel do Fogo Encantado, lembra João Cabral de Melo Neto e versos de Os Três Mal-Amados.

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Grandes poetas-letristas, como Vinicius de Moraes, Waly Salomão, Hilda Hilst e Alice Ruiz, são citados por parceiros e estudiosos. Tom Zé, José Miguel Wisnik, Jorge Mautner, Ferréz, BNegão, Arnaldo Antunes, Antonio Cícero e Martinho da Vila, autores que transitam entre a palavra cantada e falada, são outros ''''personagens'''' do filme (a seleção desse time durou quatro meses e foi feita por um grupo de três pesquisadores).

As entrevistas são mescladas a imagens antigas preciosas, algumas raríssimas, como a da encenação de Morte e Vida Severina, de João Cabral, com músicas do então jovenzinho Chico Buarque, no Teatro Odeon, em Paris, nos anos 60, e Ismael Silva cantando e tocando Se Você Jurar.

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Palavra Encantada nasceu de um projeto do produtor Marcio Debellian. Um amante da música brasileira, ele queria investigar o método de trabalho de compositores eminentes. E mais: descobrir como a literatura os impacta. Apresentada a Debellian por amigos, Helena logo se entusiasmou. Na época, a cineasta - que é formada em Letras pela PUC do Rio - estava lançando seu último longa (e primeiro de ficção), o premiado Vida de Menina (uma adaptação dos diários da garota Helena Morley, que viveu no século 19 em Minas Gerais).

''''Queria fazer algo poético, e não jornalístico, deixar as pessoas à vontade, criar intimidade. Elas já deram um monte de entrevistas falando sobre seu processo de criação'''', explica Helena, que pretende exibir o filme em escolas. A diretora de Carmen Miranda: Bananas Is My Business acredita que nunca vai abandonar os documentários, embora já tenha o argumento para o próximo filme de ficção - um projeto antigo, de dez anos. ''''Documentário é uma aventura, é feito na sala de edição, você aprende com ele. Não pode ter uma idéia preconcebida.''''

Por Marcio Debellian em março 4, 2008 2:40 AM | | Comentários (0)


Marcio Debellian
Me formei em Economia na PUC-RJ em 1999, e logo depois cursei uma Pós Graduação em Marketing lá mesmo, no IAG. Fiz formação em Teatro na CAL e no Laura Alvim. Sou apaixonado por música desde sempre. Coisas de família: meu avô dorme de rádio ligado até hoje. Fundei a Debê em 2004. Fazemos consultoria em comunicação para grandes empresas. Palavra Encantada é meu primeiro trabalho com cinema. O próximo ainda está no papel.


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