Quem ainda não conhece o filme, veja o trailer aqui.
É uma longa jornada. Fazer um filme é como uma corrida de longa distância com barreiras. Sexta-feira, dia 13 de março, cruzamos a linha de chegada no Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília. E é ilusão achar que o trabalho acaba aí, temos que continuar ao trabalho de divulgação, negociar salas de cinema, fazer apelo para que os amigos lotem o primeiro final de semana para que o exibidor queira nos manter em cartaz na semana seguinte... Enfim, estou quase caindo no chororô do cinema nacional. Deixa disso. Vamos celebrar.
NO dia 04, fizemos uma pré-estréia para poetas e dizedores de poesia do Rio de Janeiro, seguido de sarau no Cinematheque. Presenças queridas e ilustres como Maria Rezende, Vitor Paiva, Botika, Elisa Lucinda, Alice Sant'Anna, Os Sete Novos, Mano Melo e muitos outros. Tudo organizado pelo Ramon Mello. O Chacal escreveu um texto que me emocionou muito. Transcrevo abaixo:
Eta filminho bom esse "Palavra Encantada" ! É um orgulho pra gente se saber contemporâneos e conterrâneos dessas lendas vivas das nossas letras. Difícil fazer esse filme. É como fazer uma antologia. Faltam sempre alguns. Sobram outros. Pero ter Chico Buarque à vontade, já é um presente. È muito incrível ele começando a ler uma letra e não conseguir e começar a cantá-la e parar e fazer comentários. Fica claro que uma letra obedece às disritmias da melodia e da harmonia. Adriana me emociona. O jeito dela falar do Waly. Ele queria vendê-la para um chofer de táxi em Nova York. Ela dizendo que só conseguia trabalhar com o poeta dizendo: isso aqui é a letra e vou trabalhar com ela. No papel, você faz o que quiser, ela é tua. Waly devia enlouquecer com essa clareza. Adriana falando da utilidade do canto para levar nossa língua para ser conhecida . Senti isso em Guayaquil, falando poesia. Um músico veio falar comigo depois, Disse q não sabia como era bonita a língua portuguesa. Imagine se ele visse Adriana cantando. Adriana é um esplendor. Quem me encanta muito é Lirinha. Seu português bem articulado. Sua maçaroca de imagens panorâmicas. Aqueles versos do cantador que fala do mar, são de frigir a cartola. E Lenine quanto toca a música de Gonzaga ? Estarrecedor ! O que é ritmo, melodia, canto e poema ? Nobody knows. Ferrez um tanto ingênuo com sua obsessão pelo livro. "As coisas estão no mundo". Faltou o da Viola. E Tomzé falando de Caymmi ? É um espetáculo. Tomzé é o mais sofisticado e tradicional cantador de feira do mundo. Legal ver Bnegão falar da ligação clara e obscura da embolada, do desafio dos cantadores com o rap. Aquele plano dos dois rappers disputando nos arcos da Lapa, a Batalha do Real é primor fulgurante. Depois Bnegão caminhando na Lapa e Black Alien falando sobre a palavra. Um filmaço "Palavra Encantada". Dá gosto ser gente humana.
PS: Entretantas maravilhas descobri que Zé Miguel Wisnik vem de dentro do Ariano Suassuna. São uma única e a mesma pessoa. O mesmo se passa com Antônio Cícero e João Cabral. As semelhanças são notáveis. Só que a secura de Cabral, em Cícero se adoçou. E a partir de um determinado plano percebi: o nariz do Chico saiu de dentro do do Cartola. Acontece ...
Parabéns Helena Solberg e Márcio Debellian. Um filme histórico. De sair feliz com o Brasil. Tomara que vocês um dia desenvolvam o tema para poder abarcar a poesia falada, essa coisa entre. Que por sinal me pregou uma peça no recital pós filme no Cinemateque. Esqueci o início de "Lúcifer" e fiquei acendendo um isqueiro até o Pedro Rocha, na platéia, me soprar o primeiro verso. Depois fui ...
OS 2: ver / ouvir Botika, aquele poema Jackie O. de Domingos (faltou a guitarra e o tom Patti Smith), o Dado Amaral falando Pound e minha amiguinha Alice Sant'Anna falar um poema sobre os "bichinhos de luz", tudo ali em carne e osso, respirando junto, me deixam, até agora, tonto como uma beberrã. Excelente noite. Valeu, Ramon !
Dia 10 e 11 foi a vez de SP. Uma pré-estréia promovida pela Saraiva e outra pela Folha de SP, com a presença de Marcelino Freire, Luiz Tatit e Ferréz para o debate. A sala lotou, teve gente no chão e tudo mais.
Amanhã, dia 12, sigo para Brasília, para a nossa última sessão antes da estréia. Mais um dia, mais uma cidade, pra se apaixonar...
Contei para Branca Lee (acá Dalau) sobre meu Carnaval. Ela me mandou este poema do Gullar.
Este fevereiro azul
como a chama da paixão
nascido com a morte certa
com prevista duração
deflagra suas manhãs
sobre as montanhas e o mar
com o desatino de tudo
que está para se acabar
A carne de fevereiro
tem o sabor suicida
de coisa que está vivendo
vivendo mas já perdida
Mas como tudo que vive
não desiste de viver,
fevereiro não desiste:
vai morrer, não quer morrer,
E a luta de resistência
se trava em todo lugar:
por cima dos edifícios
por sobre as águas do mar.
O vento que empurra a tarde
arrasta a fera ferida,
rasga-lhe o corpo de nuvens,
dessangra-a sobre a Avenida
Vieira Souto e o Arpoador
numa ampla hemorragia.
Suja de sangue as montanhas,
tinge as águas da baía.
E nesse esquartejamento
a que outros chamam verão,
fevereiro ainda agoniza
resiste mordendo o chão.
Sim, fevereiro resiste
como uma fera ferida.
É essa esperança doida
que é o próprio nome da vida.
Vai morrer, não quer morrer.
Se apega a tudo que existe:
na areia, no mar, na relva,
no meu coração - resiste.
Chegou esta semana o novo CD e DVD do Leo Gandelman, Sabe Você. Assino a seleção de repertório junto com ele. Esse foi o nome que encontramos para enquadrar algo que é menos formal do que isso. O que aconteceu foram dois amigos trocando idéias, ouvindo música juntos, tomando whisky, batendo papo, se emocionando.
Leo tinha uma lista inicial, fomos acrescentando outras músicas juntos. Chegamos a uma lista grande, que depois foi sendo podada, até chegar ao resultado final. Começamos a imaginar os convidados para cada música, quem cantaria o que - um grande privilégio poder pensar coisas como "vamos chamar o Caetano para cantar a música do Tito Madi"?
Leo conseguiu um time luxuoso: Caetano, Chico, Joel do Bandolim, Leila Pinheiro, Leny Andrade, Lirinha, Luiz Melodia, Milton Nascimento e Ney Matogrosso. Foi bonito vê-los em estúdio, criando juntos, a forma como cada um coloca a voz, a atenção ao detalhe de uma nota, os cuidados na hora de aprovar a versão final.
O repertório ficou assim:
1. Sensível (Pixinguinha) com Joel Nascimento
2. Aos Pés da Cruz (Marino Pinto e Zé da Zilda) com Luiz Melodia
3. Chove lá Fora (Tito Madi) com Caetano Veloso
4. Pra Machucar meu coração (Ary Barroso) com Ney Matogrosso
5. Só por Amor (Baden Powell e Vinicius de Moraes) com Lirinha
6. Sabe você (Carlos Lyra) com Leny Andrade
7. Amargura (Radames Gnattali) - Instrumental
8. Futuros Amantes (Chico Buarque) com Chico Buarque
9. Por Causa de Você (Tom Jobim e Dolores Duran) com Milton Nascimento
10. Coração Vagabundo (Caetano Veloso) com Leila Pinheiro
11. Chuva (Durval Ferreira) - Instrumental
Renato Martins e Felipe Nepomuceno da URCA Filmes fizeram um registro em DVD. Ficou bem sofisticado, preto e branco, fotografia do Lula Carvalho. Vale a pena conferir.
O Tiri nasceu no dia do furacão Andrew, 23 de agosto de 1992, na Flórida. E morreu hoje, 28 de novembro de 2008, carioca, em meio a uma outra tempestade que cai na minha janela, com ventos uivando.
Durante muito tempo, por conta do trauma de seu parto durante um furacão, ele não podia ouvir o vento uivando. Escondia-se atrás das cadeiras, pedia colo, não ficava quieto.
Uma vez, durante uma tempestade, e sem saber o que fazer para acalmá-lo, tranquei-o no meu banheiro, dentro da banheira, atrás do blindex. Acho que era o único lugar onde não havia barulho de vento. Fui dormir, e esqueci ele lá. De manhã, tudo mais calmo, ele latiu pedindo para voltar à liberdade. A gente se entendia bem.
Depois, quando fui morar sozinho, ele ficou com meus pais. E era uma festa chegar na casa deles, tocar a campainha e ficar 5 minutos correndo, brincando, antes de cumprimentar os outros membros da família. Ele fazia o circuito pela sala, saltava móveis-obstáculos, corria pela varanda, dava um 360º e começava tudo de novo. Só depois, ofegante, ficava abraçado comigo. Minha mãe chegava a ter ciúmes: "você faz muito mais festa para o Tiri do que para mim".
De vez em quando rolavam os fins de semana do pai com Tiri e do Tiri com o pai. E lá ia ele em meio aos meus amigos a qualquer aventura que aparecesse. Velejava, topava ir em cima de uma prancha para passar a arrebentação da praia. Na verdade, topava tudo, desde que não o deixassem sozinho. Gostava de navegar na proa do bote, tomando vento. Estrada de janela aberta era das coisas que mais gostava. Adorava ver o rosto dele, pêlos voando, no espelho retrovisor direito do meu carro. Às vezes, a gente exagerava: Minha mãe já fez ele descer num escorrega que desembocava em um mergulho no mar! Acho que ele preferiria ter passado sem essa.
Tiri tentou suicídio várias vezes. Eu acho. Ou o que dizer de um cão que já rolou ribanceiras, caiu de muros, pontes, se jogava de um andar para o outro da casa sem pára-quedas? E sempre ficava um pouco desmaiado, se sacudia e voltava ao normal, depois de todo o susto e pânico na casa.
O Tiri não se chama Tiri. Em seu pedigree consta PRINCE ANDREW III, por conta do furacão. Eu batizei-o de PIRIRI, porque achava engraçado e queria um nome com bastante R's para que americanos não conseguissem pronunciar. Coisa de adolescente em território que, na época, era de Bush Pai. Me orgulhava em contar o significado desta palavra para os americanos estupefatos com um nome tão peculiar para um cachorro, que ainda por cima, era todo branco. A professora de biologia chegou a repreender a minha mãe na escola, por ela ter me autorizado a dar este nome ao cão! (?!!?!?)
Voltei pro Brasil e o nome PIRIRI começou a causar muita estranheza em certos círculos sociais. Daí começaram a leva de apelidos que desembocaram no sucinto TIRI (pronuncia-se como se fosse um britânico falando: Tidhhh). Piri, Piri-piri, Tiriquerido, Ticão... Só em broncas ou situações de perigo ele voltava a ser o Piriri.
Ontem fui ao veterinário visitá-lo. Falei: "Sou o dono do Piriri". E lá estava ele com soro preso na patinha, prostrado. Me reconheceu pelo cheiro, pois já não ouvia e via direito, levantou um pouquinho. Colei meu rosto no dele, como sempre gostei de fazer. Falei no nosso dialeto. Dei um carinho.
Hoje ele morreu. Deixou uma herança milionária por conta do processo que moveu contra Ana Paula Padrão por ela ter imitado seguidamente seus penteados enquanto esteve à frente do Jornal da Globo. Tchau, Tiri Querido, meu amigão que esteve comigo por 16 anos, mais da metade da minha vida. Já estou com saudades. Guardo no meu coração pra sempre as nossas histórias.
Eu e o tempo temos discutido a relação. Para o tempo da internet, estou há muito sem postar. Blog desatualizado cai em desuso, mas como muita coisa também cai em desuso e ressurge das cinzas, vou na fé.
Todo mundo já falou do Gabeira e do Obama. Eu não. Todo mundo vai ao circo, menos eu. Então aqui vão dois pequenos comentários "retardatários".
No dia em que o Gabeira perdeu, eu me lembrei do Cazuza.
Te chamam de ladrão, de bicha, maconheiro
Transformam o país inteiro num puteiro
Pois assim se ganha mais dinheiro
Acho que este poderia ser o jingle do PMDB.
No dia em que Obama ganhou, eu me lembrei do discurso de Martin Lutter King:
I have a dream that my four little children will one day live in a nation where they will not be judged by the color of their skin but by the content of their character.
E o mais curioso foi onde aprendi este discurso: Em festinhas-inferninho do início dos anos 00, em que mixavam toda a parte do "I have a dream" com música eletrônica. Como aquilo era das poucas coisas com palavra por ali, acabei decorando. Sempre precisei criar alguma relação da palavra com a música eletrônica. Se eu vou a uma festa de música eletrônica (fato raro), invento letras para as batidas. Ou canto as músicas que gosto junto com elas. Nunca fui muito da música eletrônica, embora ouça bastante Kraftwerk em momentos que preciso trabalhar com coisas não prazerosas, we are the robots.
Alguém já fez uma música com "Yes, we can"?
Depois do Festival do Rio, O Palavra Encantada chega à Mostra SP na próxima semana.
RESERVA CULTURAL 1, 20/10/2008 - 20:10hs - Segunda-feira
UNIBANCO ARTEPLEX 4, 21/10/2008 - 14:00hs - Terça-feira
RESERVA CULTURAL 1, 22/10/2008 - 19:00hs - Quarta-feira
Tomara que a gente se encontre!
Ontem foi o último dia do Festival, o primeiro que participei com um filme em competição. Então teve um sabor especial. E como era bom fazer a maratona Palácio/Odeon, intervalos no Ateliê Culinário, papos, amigos, bons filmes alimentando a alma.
Foi muito emocionante ver o reconhecimento do Palavra (En)Cantada, por meio do Prêmio de Melhor Direção de documentário concedido à Helena Solberg. Só isso já garantiria uns dias de sorriso largo, mas outra coisa me deixou especialmente feliz: os prêmios dados a "Apenas o Fim", do Matheus Souza.
O filme é ótimo, tem diálogos inteligentes e retrata de maneira sensível o modo de se relacionar de uma geração. Enquanto o casal vai discutindo o término do namoro, o texto bem humorado, a cumplicidade entre os dois e os flashbacks de conversas antigas fazem crer que eles têm uma vida feliz. Por que terminar? A personagem da Erika Mader apenas tem que seguir, não diz para onde vai, não dá maiores explicações, ela apenas vai. É apenas o fim. Simples assim, sem drama. A vida segue. E como essa dor silenciosa é difícil...
Me identifiquei com essa necessidade de solidão, com a não-acomodação, essa vontade de viver sentimentos diferentes, apesar de se estar vivendo uma relação que parece boa. É um sentimento que me lembra a música do Antônio Cícero e Marina: "eu quero tudo o que há, o mundo e seu amor, não quero ter que optar". Essa "contradição" é uma busca do nosso tempo.
Mas o melhor de tudo foi ver aquela galera da PUC subindo no palco, felizes, unidos, recebendo o prêmio por um filme que começou seu financiamento com a venda de uma rifa de whisky. Um filme feito com mais suor e talento do que dinheiro. Parece que o orçamento foi R$ 14 mil. Que frescor, que energia positiva. Sai do Odeon revigorado por vê-los felizes.
Foi um belo exemplo de que vale persistir nos sonhos, descobrir caminhos, não apostar em fórmulas prontas. A paixão foi o maior combustível. E o filme transpira isso na tela. Parabéns a todos. Parabéns a Marisa Leão, inteligente e sensível, que deu uma força para esses meninos colocarem o filme na rua.
A correria anda tanta que até esqueci de postar aqui as datas de exibição do Palavra Encantada no Festival do Rio.
Sábado, 27/09, às 20:15h, no Odeon - BR
Domingo, 28, às 13h.
Segunda-feira, dia 29/09, Estação Gávea 3, às 15:30h e às 22:10h
As sessões de domingo e segunda valem o voto popular!
O site do filme entra no ar hoje (www.palavraencantada.com.br) com alguns avant traillers
Tomara que a gente se encontre!
Sou daqueles que nunca deixou de ter vitrola. Quando alguém fala em dar seus LPs porque são um entulho, ocupam muito espaço, não servem mais... eu saio recolhendo, faço uma seleção, e trago para casa.
Ano passado a minha vitrola quebrou. Ela até era moderninha, comprada em 1990, um daqueles conjuntos vitrola-cd-tape-rádio. Pois bem, ninguém conseguia consertá-la, não encontravam peça de reposição. Até tentaram uma gambiarra, mas o "prato" começou a rodar mais rápido do que deveria, e tudo virou um fast-forward permanente!
Aproveitei uma viagem recente para os EUA e trouxe uma vitrola Crosley, que é uma maleta, com entrada USB, caixas de som embutidas, e programa para tratar eventuais ruídos. Ou seja, se quiser posso copiar meus vinis para o computador e ainda dar uma "guaribada" no som. Tudo isso por US$ 140!!
A vitrola abre muitas possibilidades de diversão. Outro dia, uma amiga chegou de viagem depois de um tempo fora e foi direto lá para casa. Recebi-a com Fafá de Belém cantando o Hino Nacional!! Uma recepção patriótica-dramática!
Isso me fez lembrar a morte de Tancredo. Eu tinha 7 anos e, enquanto minha irmã passou um tempinho querendo dormir com os meus pais, com medo de que o espírito de Tancredo viesse assombrá-la, eu gostava de ouvir "Coração de Estudante", de Milton Nascimento, e Fafá "O HINO"!!!Tenho impressão que essas músicas tocavam exaustivamente na TV e no rádio e viraram símbolo daquele momento, porque isso ficou muito marcado na minha memória.
Outro prazer tem sido ler dedicatórias antigas nas capas dos vinis. Sejam dedicatórias amorosas de LPs que comprei em sebos (descartados por casos terminados, desilusões amorosas talvez?), ou bilhetes dedicados a alguém que me doou seus LPs. Encontrei uma dedicatória da minha mãe para a minha avó em 68, incluindo apelidos da época, que tinham ficado "adormecidos" e voltaram à tona por conta da capa do LP!
Adoro meu I-pod e a possibilidade de passear com 80G de música por aí, fazer playlist, brincar com a sorte no shuffle... Aliás, minha preocupação com tecnologia sempre foi mais direcionada à música. Não consigo esquecer quando comprei meu walkman azul aos 12 anos. Ele me custou 19 pounds. Lembro da cena de sair da loja com um sorriso de orelha a orelha. Antes dele tive um pretinho da sony, comprado no freeshop em 1987. Quando fiz 15 anos, ganhei meu walkman amarelo à prova d'água. Mais tarde passei para o diskman, com baterias recarregáveis e caixas de som externas para viagens! Esse aí foi um presente para o meu pai, mas eu roubei dele. Até que chegou a vez do meu i-pod mini verde (Carmel trouxe de viagem para mim) e agora o i-pod preto classic de 80G. Tudo isso é ótimo, mas a vitrola tem um ritual especial, e uma incrível capacidade de colocar o passado para rodar, não só musicalmente!
O show de Roberto Carlos e Caetano Veloso em homenagem a Tom Jobim foi concebido para ser um encontro histórico. E de fato foi.
Mas acho que poderia ter sido ainda mais. Por que um show somente no Municipal, com mais convidados que pagantes, sem deixar o grande público participar da festa?
Por que não a Praia de Ipanema, ar livre, cristo redentor braços abertos sobre a Guanabara? Já imaginou o povão vendo show desses e cantando junto o repertório de Tom Jobim? Um pouco mais do espírito Jovem Guarda e Tropicalista faria muito bem a esta enxurrada de homenagens à Bossa Nova.
E por se tratar de fato raro ver os dois em cena juntos, bem que poderia ter rolado um bis com "Debaixo dos Caracóis dos seus cabelos" e "Força Estranha", músicas bem emblemáticas da história dos encontros dos dois. Para arrematar, "As curvas da estrada de Santos", que Roberto mostrou para Caetano na casa dele em Londres, durante o exílio, levando-o às lágrimas.
OBS: Caetano conta esta história no documentário Circuladô, de José Henrique Fonseca e Walter Salles, vale a pena ver.










